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LAÇADOR

 

Cristine  Rochol/PMPA

   A estátua do Laçador é um monumento localizado em Porto Alegre que representa o gaúcho tradicionalmente pilchado. Tudo começou em 1954: para a exposição do IV Centenário de fundação da cidade de São Paulo, no Parque Ibirapuera, foi realizado um concurso público para a execução de uma escultura que servisse como símbolo do Rio Grande do Sul. A vencedora foi a escultura construída em gesso pelo artista plástico Antônio Caringi (1905-1981), que teve de modelo o tradicionalista Paixão Côrtes .

 

    Caringi teve formação artística na Alemanha, na Academia de Belas Artes de Munique. Lá, sofreu influência da arte da antiguidade, tendo uma formação acadêmica tradicional. Quando retornou ao Brasil, não se engajou em projetos de vanguarda, e talvez esse seja um dos motivos para que a sua produção não tenha sido devidamente estudada. A produção não-vanguardista deve ser analisada pela ótica do mosaico da arte da época, como o Ecletismo, o Neoclassicismo e a Art Déco.

 

 

Construção e características

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Em 1954, durante a Exposição do IV Centenário de fundação da cidade de São Paulo, no Parque Ibirapuera, foi elaborado um concurso público para a execução de uma escultura que identificasse o homem rio-grandense, com o intuito de ser instalada no hall de entrada do Pavilhão do Rio Grande do Sul.

   Entre os artistas que participaram do concurso estavam Vasco Prado, Fernando Corona e Antônio Caringi. A escultura de Caringi, com modelo feito em gesso, venceu o concurso. Estava previsto também que o modelo fosse fundido em bronze e ofertado à cidade de São Paulo.

   As principais características da obra são a ênfase nos aspectos externos de masculinidade, através da postura e da musculatura; o sentimentalismo, as emoções estão expressas nos movimentos e nos gestos amplos e teatrais. Esta capacidade de expressar a ideologia em obras de porte grandioso serviram ao discurso formativo da arte simbólica do período do Estado Novo (1937-1945).

   Para Luciano Aronne de Abreu, professor e coordenador do programa de pós-graduação em História da PUCRS, o monumento ao Laçador é representativo justamente dessa identidade construída do gaúcho como homem rural, cuja principal atividade estaria ligada à pecuária. “Sua construção data de um período de consolidação dessa identidade, década de 1950, após sua institucionalização com a criação dos primeiros centros de tradição gaúcha na década anterior”, afirmou.

   Para usar um gaúcho autêntico como modelo para a sua obra, Caringi contou com o então jovem folclorista Paixão Côrtes, na época com 26 anos. Apreciador dos costumes da cultura campeira, ele posou para o artista plástico com uma indumentária gauchesca. Caringi fez vários estudos em desenho antes de executar o modelo tridimensional da escultura. A figura deveria representar o homem forte do campo gaúcho.

   - Como todo e qualquer processo de construção de identidade, em termos culturais e simbólicos, se propõe a representar o conjunto dos Rio-grandenses. Historicamente, se refere a um tipo social específico e datado de meados do século XIX, de origem rural da campanha - conta Luciano Aronne de Abreu.

 

   Na época, Porto Alegre não tinha nenhum monumento que em referência ao homem do campo. A repercussão da obra foi tamanha por parte dos gaúchos que houve uma reivindicação popular para que a escultura fosse transferida para a capital gaúcha, em local de destaque para receber o viajante que chegasse à cidade. O monumento foi adquirido pela prefeitura de Porto Alegre e a estátua definitiva foi esculpida em bronze a partir da matriz em gesso, através de formas na técnica da cera perdida. Foi inaugurada no dia 20 de setembro de 1958, data comemorativa da Revolução Farroupilha, na Praça do Bombeiro. O monumento tem 4,45 metros de altura e pesa 3,8 toneladas, com um pedestal de granito trapezoidal de  2,1 metros de altura. A altura total é de 6,55 metros.

 

 

O Laçador: Símbolo do Estado e patrimônio histórico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Em quase 60 anos de existência da estátua, seus significados foram enriquecidos e registrados na memória afetiva da população. Em 1991, uma pesquisa patrocinada por uma instituição privada elegeu o Laçador como símbolo da cidade de Porto Alegre, fato que foi oficializado na Câmara Municipal, no ano seguinte, através da sanção da Lei Complementar 279/92.

 

   Em 1993, o Laçador foi restaurado por Jair Tonelly Mâncio, quando foi retirada uma pintura que a escurecia, escondendo a cor natural do bronze. Foi tombada como patrimônio histórico da cidade em 2001. No dia 11 de março de 2007, a estátua foi deslocada do local original, na avenida dos Estados no bairro São João, na zona norte da cidade, para o Sítio do Laçador, em frente ao primeiro terminal do Aeroporto Salgado Filho, onde permanece até os dias de hoje. O motivo da mudança do endereço foi a previsão de construção do viaduto Leonel Brizola no local onde estava a estátua. Paixão Côrtes não pôde assistir à transposição da estátua nesse dia porque foi hospitalizado devido ao seu estado emocional.

 

   O Sítio do Laçador tem seis espaços diferenciados, com as cores do Estado do Rio Grande do Sul, em quatro mil metros quadrados de área. A estátua permanece num espaço elevado, no topo de uma coxilha que lhe serve de base. A estátua, nessa nova situação, continua visível a todas as pessoas que chegam a Porto Alegre pela BR-116, seja para quem chega na cidade pelo aeroporto Salgado Filho ou pela via rodoviária. De costas para o centro da cidade e olhando para o norte do Rio Grande do Sul, o Laçador recebe os viajantes vindos de todo o Brasil e do mundo. O local também é utilizado para eventos e manifestações tradicionalistas.

 

  Segundo Luciano Aronne de Abreu, “O Laçador é representativo da identidade historicamente construída para o Estado e da própria cidade de Porto Alegre”.

GENARO JONER (E) E SIOMA (D)
IVO GONÇALVES/PMPA
 

Crônica sobre o Laçador, na voz do cantor e compositor tradicionalista, Elton Saldanha 

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