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FERNANDÃO

 

    Fernando Lúcio da Costa nasceu em Goiânia no dia 18 de março de 1978. Ele iniciou sua carreira nas categorias de base do Goiás Esporte Clube, como meia, e subiu ao elenco profissional com apenas dezesseis anos de idade. Como meio-campista, se destacou no clube, onde atuou por seis anos (1995-2001), conquistando cinco Campeonatos Goianos, duas Copas Centro-Oeste e um Campeonato Brasileiro da Série B.

    

      Com o seu futebol técnico e cabeçadas certeiras, rumou para o futebol europeu. Foi contratado pelo Olympique de Marseille, onde jogou por três temporadas e, na sequência, foi emprestado para o Toulouse, também da França, onde ajudou a evitar o rebaixamento da equipe. No futebol francês, Fernandão passou a atuar como atacante.

 

    Aos 26 anos, recebeu proposta para retornar ao Brasil e atuar no Flamengo. Porém, quando o atacante já estava acertando os últimos detalhes com o clube carioca, o Internacional, liderado pelo então presidente Fernando Carvalho, realizou grandes esforços para contratar o atacante, com diversos encontros pessoais entre as duas partes. “Era um líder, sem falar na contribuição técnica que acrescia à equipe dentro de campo”, destaca o ex-dirigente. O esforço teve resultados: em 2004, Fernandão foi contratado pelo Internacional.

 

      Para o jornalista Leonardo Oliveira, um dos autores do livro Fernandão Eterno (em conjunto com Cristina Rispoli d’Azevedo, Leandro Behs e imagens de Marcelo Campos, lançado em 2016) e setorista do Inter durante a passagem do jogador pelo clube, a chegada de Fernandão para o Inter foi "um casamento perfeito de um jogador que buscava reconhecimento e um clube que buscava resgatar sua história e ter o tamanho de outrora."

 

    Sua estreia pelo Colorado aconteceu no dia 10 de julho, quase um mês depois de ter se apresentado, justamente em um Gre-Nal. Logo no primeiro jogo, Fernandão já dava sinais de predestinação: ao entrar no segundo tempo durante o clássico, o então camisa 18 marcou de cabeça o segundo gol da vitória colorada por 2 a 0, seu primeiro pelo Inter e o milésimo da história dos Gre-Nais.

 

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

        A partir de então, Fernandão se transformou rapidamente em uma das referências da equipe, além de se tornar um dos jogadores favoritos da torcida. Em 2005, vestiu a camisa do Brasil pela única vez, no amistoso de despedida de Romário pela Seleção, em uma vitória de 3 a 0 contra Guatemala. Seguiu se destacando no Inter, pelos gols e pela liderança dentro e fora de campo, tornando-se capitão da equipe com menos de um ano no futebol gaúcho.

 

      2006 foi seu grande momento na carreira: consagrou-se campeão da Libertadores e do Mundo pelo Inter. Foi o artilheiro da competição continental com cinco gols e também líder em assistências, além de ter sido eleito o melhor jogador da Libertadores. Já no Campeonato Brasileiro, recebeu a Bola de Prata por ter sido um dos melhores atacantes do campeonato, onde o Inter foi vice-campeão.

     Leonardo Oliveira destaca que Fernandão sempre foi um exemplo de profissional. Um sujeito vencedor, não só pela técnica, mas também pela liderança e inteligência.

     - Fernandão mostrou que a vitória precisa de mais do que qualidade técnica. Ela necessita de trabalho sério, honesto e, principalmente, abnegado. No futebol, principalmente, temos uma cultura de permissividade com os mais talentosos, numa troca velada de promessa de vitória. Fernandão mostrou que esse não é o caminho - afirma o jornalista.

 

     Entre outros títulos durante sua passagem como jogador colorado, Fernandão conquistou dois Campeonatos Gaúchos, a Libertadores, o Mundial, a Recopa e uma Copa Dubai. Marcou 77 gols em 190 jogos pelo clube. Em 2008, se despediu do Inter e foi jogar no Al Gharafa, do Catar, onde atuou por uma temporada. No retorno ao Brasil, esperava-se que ele jogasse pelo Inter de novo. Entretanto, após diversas negociações, Fernandão acertou seu retorno ao Goiás, onde tudo começou.

    A vida e carreira de Fernandão se dividiu entre Goiânia e Porto Alegre, Goiás e Inter. Quando se aposentou do futebol, em 2010, ele retornou ao clube gaúcho como dirigente, em 2011, onde permaneceu durante um ano até virar o treinador do clube, em 2012. Sua passagem foi curta e polêmica, com problemas envolvendo alguns jogadores e a frase que hoje virou emblemática devido a situação do clube: “Acho que caímos em uma zona de conforto muito grande aqui no Inter. E ela tem que acabar”. Entretanto, nunca deixou de ter  carinho, respeito e admiração por parte do torcedor, que sempre o apoiou.

 

    Fernandão é importante para Porto Alegre e vice-versa. Para Leonardo Oliveira, o fato de ter se inserido à cidade, como se fosse gaúcho, o ajudou na sua imagem não só como esportista, mas também como pessoa e cidadão.

 

   - Os porto-alegrenses se sentem orgulhosos quando um forasteiro adota a sua cidade e seus costumes. O grande legado de Fernandão foi o seu exemplo como cidadão, e modelo de conduta e grandeza. Tanto que superou a nossa rivalidade Gre-Nal e se tornou admirado e respeitado pelas duas torcidas. Esse legado, é bom que se diga, fica não só para o contexto esportivo. Ele atravessa essa camada e se expande para a sociedade em geral. Porto Alegre foi importante porque, na cidade, ele encontrou um ambiente parecido ao que tinha em Goiânia, com tamanho e hábitos parecidos. Ajudou também o fato de sermos um Estado com agronegócio muito forte, algo que ele sempre teve em suas raízes, já que o padrasto era fazendeiro e ele passou parte da infância e da juventude entre o campo e a cidade - pontuou.

 

     Fernandão seria comentarista de futebol do canal SporTV durante a Copa do Mundo de 2014, mas faleceu cinco dias antes do início da competição em uma queda de helicóptero em Aruanã, interior de Goiás, onde tinha uma propriedade. Foi sepultado em Goiânia, mas foi em Porto Alegre que recebeu as maiores homenagens dos torcedores colorados e o respeito dos rivais gremistas. Para Leonardo Oliveira, o maior legado de Fernandão é o trabalho.

 

- Posso dizer que se tratava de um modelo de profissional. Outro exemplo que deixa para as novas gerações é de que a liderança nunca é imposta, mas conquistada. E, depois de conquistada, exige, todos os dias, uma postura exemplar, que inspire e sirva de modelo aos demais, Não há mais espaço para o "faça o que eu digo, mas não faça o que faço" - completou.

SILVIA IZQUIERDO/AP
MAURO VIEIRA/AGÊNCIA RBS
JEFFERSON BERNARDES/AFP
DANIEL MARENCO/AGÊNCIA RBS

Crônica sobre Fernandão na voz de Marcelo Campos, amigo e fotógrafo do jogador

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